
E quanto mais O conheço, mais reconheço que nada sei sobre o Seu infinito amor. O coração humano é uma fábrica de ídolos, já dizia Calvino (e antes que você pense que eu milito sobre o assunto calvinista/arminiana a resposta é: não. Eu não tenho uma opinião formada sobre esse assunto). Mas Calvino sabia o que estava dizendo quando proferiu essas palavras.
Inúmeras são as vezes em que nos apegamos às características de Deus que mais nos agradam e excluímos as outras, que não nos convém. Um vídeo do David Mesquita me fez refletir muito sobre esse assunto. Desse modo, criamos para nós mesmos um Deus particular e convencional que não nos incomoda ou que é bondoso ao ponto de tratar algumas de nossas falhas com uma leviandade que não é nada divina.
Deus é amor? Infinitamente amor. Mas Deus é justiça também. Ele é digno de temor e tremor e algumas coisas não podem simplesmente ser retiradas na nossa imagem de quem o Senhor é por que julgamos que elas não nos convém, ou que não convém a esse tempo. Pregamos que não dá pra ser “meio cristão”, mas nos esquecemos de que também não dá pra amar um “meio Deus”.
Cansei de ignorar uma parte de Deus por que ela não faz sentido pra mim.
Quando canto “quero conhecer Jesus, e ser achada Nele” quero dizer que quero conhecer Jesus na sua plenitude, não a parte que me convém. E isso significa que, muitas vezes o que me parece mau, não é mau. Porque sua palavra afirma que Ele é bom, e Sua palavra também afirma que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus. Simplesmente não posso confiar no meu julgamento sobre o que é bom ou mau.
Por que decidi escrever sobre isso? Primeiramente porque escrever organiza as ideias aqui e coloca as coisas no lugar e, segundamente (se essa palavra existir), por que eu tenho observado o comportamento da minha geração. E isso tem me preocupado muito (pra não dizer que tem me feito chorar muito também).
Somos aqueles que gritam “quero conhecer Jesus”, mas que têm medo de conhece-lo em sua plenitude e descobrir que precisam deixar de lado algumas coisas que parecem ótimas. Que parecem “aceitáveis”. Somos aqueles que tiram fotos de suas bíblias, pregam perdão e arrependimento mas nós mesmos não lemos, perdoamos e nos arrependemos dos nossos maus hábitos. A porta continua estreita.
Se você se sentiu incomodado, saiba: nem tudo está perdido.
Agradeça ao Pai por que essa incomodação não fui eu quem provoquei com meu jeito de organizar as palavras, mas o Espírito.
Eu quero conhecer Jesus na sua plenitude, e ser achada Nele. Doa o que doer. Custe o que custar.
por ROBERTA VICENTE
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